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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Não precisamos saber tudo


Chegou até a nossa Redação um livro chamado Diferentes Formas de Amar – Tudo o que não Ensinaram às Mulheres sobre Relacionamento a Dois. Com esse nome, pensamos na hora
em queimá-lo. Depois vimos que o livro é bacana. Mas por que usar esse título, meu Deus?

Quando vimos o título: Diferentes Formas de Amar – Tudo o que não Ensinaram às Mulheres sobre Relacionamento a Dois, pensamos imediatamente em queimar esse livro. Por que a gente tem que aprender TUDO? E por que eles nunca têm que aprender nada? Por quanto tempo vamos sustentar a indústria de autoajuda?

Esses pensamentos passavam pela cabeça desta que vos escreve quando comecei a folhear o livro da psicóloga argentina Susana Balán. E uma coisa estranha aconteceu. Comecei a achar que o livro era legal. E espero que isso prove que mudo de ideia e, até na hora de queimar livros, sou uma jornalista séria (haha!).

Apesar de um livro com esse título ser uma coisa irritante, Susana foge dos clichês e fala sobre suas filhas de 30 e poucos e suas amigas. Moças que são bem-sucedidas, mas que estropiam nos relacionamentos porque esperam demais, não querem abrir mão da liberdade e por aí vai. O resultado é bastante interessante. Um trecho diz: “Algumas mulheres da geração da minha filha desejam tranquilidade e exaltação em suas relações. Recusam a apatia e o tédio mascarados pela calma tanto quanto temem os perigos imprevistos, inerentes à excitação afetiva”. Alguém aí se identificou? Por isso, não vamos queimar este livro inteiro, só o título dele! Sim, porque podemos mudar de ideia. Mas não precisamos aprender TUDO sobre relacionamentos.

Vai lá: Diferentes Formas de Amar – Tudo o que não Ensinaram às Mulheres sobre Relacionamento a Dois, de Susana Balán, ed. Best Seller, R$19,90

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Sempre teremos Paris - Já reparou como sempre falta algo e a inquietação parece sem fim?

Quando estamos num lugar, queremos estar em outro. Já reparou como sempre falta algo e a inquietação parece sem fim?


April e Frank Wheeler consideravam-se espe­ciais, eram irreverentes, ele lutou no front da Se­gunda Guerra, ela queria ser atriz. A primeira pergunta que ela dirige a ele quando se conhecem: “O que você faz?”. Ele responde de forma literal, dizendo no que trabalha. Ela o corrige, não está interessada na realidade, mas no sonho: o que ele quer ser? Frank diz que está confuso, procurando se encontrar. Embora reclamando, ele acha algum sentido na vida suburbana que o casal monta sem pensar. Tra­balha numa firma onde pode crescer, pega o trem todo dia, reencontra a família e a casa arrumada ao voltar. April não sente o mesmo: sua carreira dramática não vinga e a rotina doméstica a enlouquece.

A história do casal Wheeler está num livro chamado Revolutionary Road (Richard Yates, 1961), que alude ao nome da rua em que eles moram. O endereço não podia ser mais paradoxal, pois é para acomodar-se e não para mudar o mundo que eles aderiram à típica ca­sinha branca de família americana. Mas dentro de April a revolução borbulha e é a isso que assistimos do co­me­ço ao fim do livro e do filme (Foi apenas um So­nho, de Sam Mendes). Seu amor por Frank só reacen­de quando eles voltam a partilhar um sonho: mudar-se para Paris. Ela planeja trabalhar e ele ficaria um tempo estudando e tentando ser outra coisa, talvez escritor. April não quer dele o que os homens estavam acostumados a dar às mulheres: casa, sustento, filhos.

Não conto mais para não estragar o prazer de ver esse filme, na magistral interpretação do casal de ato­res protagonistas de Titanic. Digamos que eles encenam o que poderia ter acontecido se a tra­­gédia não ti­ves­se transformado aquele amor em apenas um sonho.

Entramos num tema que já foi ma­­ra­vilhosamente tratado em As Horas, aquilo que Betty Friedan na década de 50 cha­mou de A Mística Feminina: a in­sa­tisfa­ção das mulheres com seu destino do­més­tico. Trata-se da onda de de­pressão que abateu as americanas do pós-guerra, que murchavam em plena época de pros­pe­ridade. Não estaria ve­lha essa ques­tão, co­mo idosas estão as que foram suas pro­tagonistas?

Eternamente inquietas
Provavelmente não, embora a vida das mulheres tenda a ficar cada dia mais pró­xi­ma dos anseios de April. Hoje po­de­mos viver destinos diversos, mas continuamos perdidas em deva­nei­os, usu­fruindo do legado de insa­tisfação que nos­sas ancestrais nos deixaram. Para as acompanhadas, fica a dúvida do que seriam se fossem livres, enquanto as soli­tá­rias sentem-se em dívida com o destino amoroso. Filhos estorvam quando existem e deixam um buraco quando fal­tam. Estamos sempre inquietas.

O filme nos lembra que os homens também estão mais interessados no que podem tornar-se do que no que são. Frank amava em April essa angústia, essa de­dicação ao sonho, April amava em Frank aquilo que ele não realizou. Como na his­tória de outro casal antológico do cinema, os apaixonados de Casablanca: no fim nós sem­pre teremos Paris.

Diana Corso, 48, é psicanalista. Vive em Por­to Alegre, tem duas filhas,­­­­­­ escreve quin­ze­nal­mente no jor­nal Zero Hora e é co-autora do livro Fadas no Divã. Seu e-mail: dia­namcorso@gmail.com

terça-feira, 21 de abril de 2009

Ela dita moda

Em A Ditadura da Moda, a repórter especial da Tpm, Nina Lemos, conta a história de uma filha de guerrilheiros, criada para ter uma ideologia

Não sei como tudo começou. Mas sei que fiz, há uns dois anos, uma reportagem para a Tpm sobre mulheres que participaram da luta armada contra a ditadura militar. Depois, um dia, o avião parou no meio da pista do aeroporto Tom Jobim por problemas técnicos (ainda bem que não foi no ar). Peguei um papel e comecei a escrever. Não sabia que ali nascia o meu primeiro romance, A Ditadura da Moda.

A ideia que me veio dentro do avião foi contar a história de uma filha de guerrilheiros, Ludimila Correia, criada para ter muita ideologia, que cresce e vira editora de moda. E mais, passa a ser uma menina que DITA MODA. Um tempo depois lembrei das palavras de ordem das passeatas (sim, eu fui no comício das Diretas) e pensei o que aconteceria se aquela garota começasse a ouvir as palavras de ordem o tempo todo, como se fossem as vozes que os esquizofrênicos ouvem.

Não é um livro sobre o mundo da moda tipo O Diabo Veste Prada. Tem umas críticas ao mundinho, sim, mas o que importa é a história dessa adorável menina perdida que é minha filha. Tem 120 páginas e dá para ler em uma noite.

Vai lá: A Ditadura da Moda, de Nina Lemos, ed. Conrad, R$ 27,90


Fonte: TPM

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Livros sobre moda



Título: A Cidade e a Moda
Autor(a): Rainho, Maria do Carmo Teixeira
Editora: Unb
Publicado em Português



Título A Costura do Invisível
Autor(a): Jum Nakao
Editora: Senac
Publicado em Português

Era uma vez...

Conheça os livros que mudaram a infância de quatro mulheres

Esqueça o gato xadrez. Conheça os livros que mudaram a infância de quatro mulheres que, desde meninas, gostam de histórias que passam longe do bom e do mal, do feio e do bonito.


1.Nina Pandolfo, 31, grafiteira
“A capa trazia um menino de cabelinhos amarelos, em ci­ma de um planeta. Um desenho simples, mas que chamou mi­nha atenção. Eram sempre as ilustrações que me faziam ler, ou não, algum livro. Neste caso, a história de O Pequeno Príncipe, de An­toi­ne de Saint-Exupéry, acabou me encantando ainda mais. As­­sim como ele, ia para o meu jardim, brincava com as plantas e falava com os bichos.”

2. Adriana Calcanhoto, 42, cantora
“Aprendi a ler muito cedo, devorava os livros que me davam. Quando tinha 8 anos, ganhei A Mulher Que Matou os Peixes, de Clarice Lispector. Era meu primeiro contato com a au­tora. Aquilo era diferente de tudo que tinha lido, não era tati­bi­ta­te, não me senti subestimada. Fiquei louca, na verdade. Certa­men­te existe uma marca dele em mim, e na aventura Partimpim [CD de Adria­na voltado para o público infantil], no desejo de não tratar as crianças como incapazes.”


3. Mel Lisboa, 27, atriz
As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, marcou meu gosto pela leitura. Uma história contada por mulheres, que mis­turava a saga dos cavaleiros da Távola Redonda com reli­gio­sidade e história. No dia em que terminei, fui chorar para minha mãe: “E agora, o que vou ler?”. Depois do livro, aos 12 anos, não sa­­­bia mais em que me apegar, já que os relatos traziam uma re­vi­­ra­volta em tudo que eu pensava sobre religião. Me tornei ateia.”

4. Sophia Reis, 20, atriz e VJ da MTV
“Minha mãe leu Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vas­concelos, ainda pequena. Ele estava lá em casa, até que um dia, quando eu tinha 10 anos de idade, ela me deu. Foi o primeiro e, até agora, único livro que me fez chorar. A história era linda e emocio­nan­te. Me marcou tanto, porque mexeu muito co­migo, me fez pa­­rar para pensar na vida, mesmo sendo muito me­nina.”


Fonte: Revista TPM

 
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